Os preços do ouro registraram queda durante a sessão europeia de sexta-feira, 6 de junho, ampliando as perdas em direção às mínimas da semana, enquanto os investidores reagiam à contínua incerteza em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã. Os participantes do mercado também voltam suas atenções para o aguardado relatório de emprego dos Estados Unidos, que poderá influenciar o próximo movimento tanto do dólar americano quanto dos metais preciosos.
A queda do ouro ocorre em meio ao aumento das dúvidas sobre a possibilidade de uma solução de curto prazo para as tensões no Oriente Médio. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que as negociações destinadas a encerrar o conflito não apresentaram progresso significativo. Embora os canais diplomáticos com Washington permaneçam abertos, ele alertou que qualquer ação militar israelense contra Beirute poderá reacender um confronto direto entre Estados Unidos e Irã.
Os comentários contrastaram com a avaliação mais otimista de Donald Trump, que recentemente descreveu as negociações de cessar-fogo como estando em seus estágios finais. Apesar dessas declarações, as tensões continuam elevadas em toda a região. No início desta semana, o Irã lançou mísseis e drones contra Kuwait e Bahrein após um ataque dos Estados Unidos a um petroleiro ligado à República Islâmica. Os ataques teriam causado mortes e feridos, intensificando ainda mais as preocupações geopolíticas.
A persistente incerteza em torno do conflito aumentou os temores de interrupções no fornecimento e de pressões inflacionárias. Essas preocupações impulsionaram os rendimentos dos títulos públicos e fortaleceram o dólar americano, criando um ambiente desafiador para o ouro, que não gera rendimento por juros.
Segundo Bart Melek, da TD Securities, as expectativas de inflação impulsionadas por choques de oferta fortaleceram o dólar americano e levaram os mercados a considerar a possibilidade de mais um aumento de juros pelo Federal Reserve no final de 2026. Expectativas de juros mais altos geralmente reduzem a atratividade do ouro, já que os investidores podem obter retornos maiores em ativos que geram rendimento.
Agora, a atenção se volta para os dados mais recentes do mercado de trabalho dos Estados Unidos. Economistas esperam que o relatório de Nonfarm Payrolls de maio mostre a criação de 85 mil empregos, enquanto a taxa de desemprego deve permanecer estável em 4,3%. Um resultado abaixo das expectativas poderá pressionar o dólar americano e oferecer suporte de curto prazo aos preços do ouro. Por outro lado, números mais fortes podem reforçar as expectativas de juros mais elevados e ampliar a pressão de baixa sobre o metal precioso.
Do ponto de vista técnico, o ouro continua sob pressão baixista. No gráfico diário, o XAU/USD segue sendo negociado abaixo de sua média móvel de 100 dias e abaixo do ponto médio das Bandas de Bollinger, sinalizando que a tendência de baixa mais ampla permanece intacta.
O Índice de Força Relativa (RSI) está atualmente próximo de 40, indicando um momentum fraco, mas ainda sem atingir condições de sobrevenda. Isso sugere que os vendedores continuam no controle, enquanto ainda há espaço para novas quedas antes que o mercado fique tecnicamente esticado.
A resistência imediata está localizada em torno de US$ 4.545, próxima ao ponto médio das Bandas de Bollinger. Níveis adicionais de resistência são encontrados perto de US$ 4.715, na banda superior de Bollinger, e em torno de US$ 4.795, onde se encontra a média móvel de 100 dias.
Na parte inferior, o suporte-chave está localizado próximo de US$ 4.370. Um rompimento decisivo abaixo desse nível poderá desencadear uma correção mais profunda, enquanto a manutenção acima do suporte poderá permitir que os preços se estabilizem e consolidem no curto prazo.