Os mercados globais encerraram a semana de 18–22 de maio com desempenho resiliente, apesar de um cenário macroeconómico complexo e, em alguns momentos, contraditório. O S&P 500 estendeu a sua sequência de alta para oito semanas consecutivas, a mais longa desde dezembro de 2023. O Dow Jones ultrapassou pela primeira vez os 50.000 pontos, avançando 294 pontos até um recorde intradiário, enquanto o Nasdaq registou a sua sétima semana de ganhos em oito.
O sentimento de mercado alternou entre otimismo e cautela. A Nvidia reportou receita recorde de US$81,6 bilhões no primeiro trimestre fiscal, alta anual de 85%, enquanto o guidance para o segundo trimestre em US$91 bilhões superou expectativas. Ainda assim, a ação perdeu força no final da semana, evidenciando que expectativas extremamente elevadas já estão amplamente precificadas.
Os desenvolvimentos geopolíticos acrescentaram mais complexidade. A diplomacia em torno do cessar-fogo trouxe incerteza, enquanto o petróleo terminou a semana em queda apesar da força observada nos últimos dias, refletindo mudanças nas expectativas sobre a dinâmica de oferta.
Pontos-Chave a Monitorar
• Desenvolvimentos sobre o cessar-fogo no Irã: principal risco da semana, sem calendário definido. Um acordo confirmado poderia pressionar fortemente o petróleo para baixo e favorecer ativos de risco, enquanto um fracasso nas negociações provavelmente elevaria o petróleo e pressionaria as bolsas.
• Dados de inflação PCE: o indicador preferido do Federal Reserve será divulgado na sexta-feira. Um número mais fraco pode reacender expectativas de cortes de juros, enquanto uma surpresa altista poderá adiar o afrouxamento monetário.
• Ata do FOMC e revisão do PIB: a ata do FOMC na quarta-feira e a segunda estimativa do PIB do Q1 na quinta-feira fornecerão mais sinais sobre política monetária e momentum económico.
• Confiança do consumidor: o dado de terça-feira mostrará se preços elevados de energia e riscos geopolíticos começam a afetar o sentimento.
Estados Unidos: Força das Ações Encontra Pressão Fiscal
A principal tensão nos mercados americanos está a mudar de crescimento versus inflação para lucros corporativos fortes versus deterioração fiscal. O One Big Beautiful Bill Act apoiou as ações, mas o mercado obrigacionista reagiu com bear steepening à medida que projeções de défice se aproximam de US$2,8 trilhões.
As yields longas mais elevadas criam pressão sobre setores sensíveis aos juros. Ao mesmo tempo, os ganhos continuam concentrados em mega caps de tecnologia e IA. Embora a amplitude do mercado tenha melhorado marginalmente, valuations elevados deixam as ações vulneráveis a qualquer reprecificação brusca das yields, especialmente se os dados de inflação surpreenderem para cima.
Europa e Reino Unido: Sensibilidade à Energia Permanece
Os mercados europeus beneficiaram da queda nos preços do petróleo e do efeito positivo vindo da tecnologia americana. Ainda assim, a região permanece altamente sensível aos desenvolvimentos ligados ao fornecimento energético.
O BCE e o Banco da Inglaterra continuam a enfrentar um ambiente difícil. Indicadores de crescimento enfraquecem, enquanto a inflação impulsionada pela energia limita o espaço para cortes de juros. Uma reabertura sustentada das principais rotas energéticas melhoraria significativamente o cenário macro ao aliviar custos e apoiar o consumo.
Os próximos dados de inflação da Alemanha e as expectativas de inflação do BCE serão acompanhados de perto.
Ásia e FX: USDJPY em Destaque
As ações de semicondutores na Ásia continuaram a superar o mercado, apoiadas pela forte procura ligada à IA. Os mercados cambiais permanecem sensíveis tanto aos diferenciais de juros quanto aos preços das commodities.
O USDJPY continua particularmente reativo aos eventos macro desta semana. Uma combinação de inflação mais fraca nos EUA e queda do petróleo poderia pressionar o par para baixo. Por outro lado, qualquer surpresa inflacionária poderá reacender especulações sobre intervenção cambial.
O iene japonês continua fortemente influenciado pelas yields dos Treasuries e pelos custos energéticos, enquanto o yuan chinês manteve-se relativamente estável antes de dados económicos importantes, apesar da incerteza geopolítica.
Commodities e Juros: Petróleo Continua no Centro da Narrativa
O petróleo permanece como principal variável macroeconómica. O Brent recuperou brevemente acima de US$105 por barril na sexta-feira, mas ainda encerrou a semana com queda superior a 4%. O posicionamento do mercado continua fortemente dependente das expectativas em torno de um possível cessar-fogo.
A dinâmica de preços permanece assimétrica. Um acordo confirmado poderia empurrar rapidamente o Brent para a faixa entre US$85–90, enquanto uma quebra nas negociações poderia levar os preços novamente acima de US$110.
O ouro fechou em 4.523, dividido entre procura por proteção e pressão das yields reais elevadas. A prata encerrou a semana em 76,11 e permanece cada vez mais sensível às expectativas de juros. Uma queda do petróleo e da inflação poderia criar um ambiente mais favorável para metais preciosos, especialmente a prata.
Conclusão
Os mercados entram numa semana reduzida de negociação com momentum forte, mas riscos crescentes. Oito semanas consecutivas de alta e recordes nos principais índices americanos continuam a refletir forte confiança dos investidores, embora os valuations permaneçam esticados.
Os desenvolvimentos geopolíticos entre Estados Unidos e Irã representam simultaneamente o maior catalisador de alta e o principal risco de queda. Com os mercados americanos fechados na segunda-feira devido ao Memorial Day, qualquer novidade terá tempo prolongado para impactar os mercados globais antes da reabertura.
Combinado com dados importantes como inflação PCE, ata do FOMC e revisão do PIB, o cenário aponta para uma semana potencialmente volátil. A continuidade da força do mercado dependerá agora de estabilidade geopolítica e dados de inflação favoráveis — combinação que pode revelar-se difícil de sustentar.