As ações americanas iniciaram a semana refletindo uma forte rotação de capital, com investidores reduzindo exposição a empresas ligadas à inteligência artificial e migrando para setores defensivos. O setor de saúde do S&P 500 avançou mais de 7% na última semana, registrando seu maior ganho semanal desde junho de 2022 e o melhor desempenho entre os 11 setores do índice. No mesmo período, o S&P 500 recuou cerca de 1,8%.
Bio-Techne e Incyte lideraram a alta do setor, com ganhos superiores a 22% e 15%, respectivamente, enquanto o ETF Health Care Select Sector SPDR (XLV) avançou 7,12%. Os setores de bens de consumo essenciais e utilities também apresentaram desempenho positivo, à medida que investidores reduziram posições em empresas de semicondutores e infraestrutura de IA.
Seis dos 11 setores do S&P 500 encerraram a última sexta-feira em alta, liderados por saúde, imobiliário e bens de consumo essenciais. Em contrapartida, tecnologia e indústria ficaram entre os mais fracos. A pressão vendedora concentrou-se principalmente em semicondutores e empresas ligadas à inteligência artificial, com a Nvidia acumulando queda próxima de 9% na semana, seu pior desempenho semanal em mais de um ano.
A rotação afetou os principais índices americanos de forma distinta devido às diferenças de composição setorial. Enquanto o S&P 500 Equal Weight, o Dow Jones e o Russell 2000 avançaram, o S&P 500 ponderado por capitalização e o Nasdaq encerraram a semana em queda.
Essa divergência refletiu a venda de ações de tecnologia combinada com a migração de capital para setores fora do segmento tecnológico. O Russell 2000 e o S&P 500 Equal Weight, menos expostos às gigantes de IA do que os índices ponderados por capitalização, sofreram menos com a realização nos semicondutores e foram beneficiados pelo movimento de realocação.
Entre as empresas de maior capitalização, os principais destaques foram nomes tradicionais do setor de saúde. A Eli Lilly avançou quase 6%, a Johnson & Johnson subiu mais de 3% e a AbbVie ganhou mais de 2% em uma única sessão. Corretoras destacaram que as compras ocorreram de forma ampla em todo o setor, e não concentradas em apenas uma empresa.
Analistas avaliam que esse movimento representa mais uma realização de lucros nas ações ligadas à IA e uma recuperação de setores que haviam ficado para trás, do que o fim do ciclo de crescimento da inteligência artificial. Ainda assim, no curto prazo, setores defensivos e empresas de menor capitalização continuam atraindo parte do fluxo que, nos últimos dois anos, esteve concentrado nas gigantes de tecnologia.
Análise Técnica
A Johnson & Johnson é a 18ª maior empresa do S&P 500 em valor de mercado, representando aproximadamente 1% do índice. Também ocupa a 15ª posição entre os componentes do Dow Jones, com peso superior a 3%.

Ontem, as ações encerraram o pregão em US$258,51, alta de 1,51%. Nos últimos cinco pregões, a empresa acumulou ganho de US$13,63, após subir da região de US$227,50.
A tendência permanece claramente altista desde maio de 2025, negociando dentro de um canal de alta. A linha inferior desse canal foi testada com precisão em 22 de junho, próximo ao nível mencionado anteriormente. O cenário técnico atual aponta para um possível teste da linha superior do canal, atualmente localizada na região de US$275.
Os indicadores seguem construtivos e ainda não mostram níveis extremos de sobrecompra. No entanto, o preço já opera acima das Bandas de Bollinger há pelo menos duas sessões, sugerindo uma breve consolidação ou uma correção moderada em direção à faixa entre US$250 e US$247, antes da retomada da tendência principal.
A recente rotação setorial indica que investidores estão ampliando o foco para além das gigantes de tecnologia que lideraram o mercado nos últimos anos. Com os principais índices próximos de máximas históricas, o fluxo de capital poderá continuar favorecendo setores e empresas que ficaram para trás, mas começam a apresentar fundamentos e configurações técnicas mais sólidos.