No artigo de ontem, analisamos a situação do consumidor norte-americano após destacar que as três piores ações do DJ30 nos últimos três meses pertenciam ao setor de Consumo e Consumo Básico. Observamos que os principais indicadores macroeconômicos, o índice de Sentimento do Consumidor da Universidade de Michigan e o índice de Confiança do Consumidor do Conference Board, vêm se deteriorando há algum tempo, apesar das divergências entre as duas séries. O primeiro permanece próximo de mínimas históricas, enquanto o segundo apresenta um cenário menos negativo.
Essa deterioração do sentimento ainda não se refletiu em dados concretos, como as Vendas no Varejo, que continuam positivas nos Estados Unidos. Mesmo assim, isso não impediu que ações como McDonald’s, Home Depot e Nike apresentassem desempenho significativamente inferior ao mercado em geral. Após analisarmos o McDonald’s ontem, agora voltamos nossa atenção para as outras duas empresas.
Análise Técnica
A Home Depot (HD) é a maior varejista de materiais para construção e melhorias residenciais do mundo. A empresa vende ferramentas, materiais de construção, eletrodomésticos e itens de decoração tanto para consumidores finais quanto para empreiteiros profissionais em aproximadamente 2.300 lojas na América do Norte. O aumento das taxas hipotecárias está claramente afetando o comportamento da ação. O CFO da companhia afirmou recentemente que o proprietário médio continua resiliente, mas “até certo ponto”.
Do ponto de vista operacional, o último trimestre permaneceu sólido. As vendas do primeiro trimestre fiscal de 2026 atingiram US$ 41,8 bilhões, alta anual de 4,8%, enquanto o lucro líquido chegou a US$ 3,3 bilhões. No entanto, o lucro por ação apresentou uma leve queda em relação ao ano anterior.
A ação segue em clara tendência de baixa desde pelo menos agosto de 2025, quando atingiu máximas próximas de US$ 425. Até ontem, era negociada em torno de US$ 318. O canal descendente permanece bem definido, caracterizado por pelo menos três grandes movimentos, incluindo dois fortes impulsos de baixa.
Após tocar uma mínima próxima de US$ 288 em 19 de maio, a ação tentou se recuperar. Porém, uma linha de tendência interna de baixa dentro do canal agora converge próxima aos níveis atuais, tornando a região de US$ 325 um teste importante. A média móvel de 50 dias também passa por essa área.
Desde ontem, o preço conseguiu ultrapassar a média móvel de 21 dias e os indicadores de momentum melhoraram, com o RSI alcançando 50,29, levemente positivo. Um rompimento confirmado acima de US$ 325 representaria um sinal técnico construtivo e poderia abrir caminho para a parte superior do canal, potencialmente próxima de US$ 350. Essa região também representa uma resistência importante, enquanto uma resistência superior está localizada perto de US$ 368.

HD, Diário, Mar 2025 – Atual
A Nike (NKE) dispensa grandes apresentações. A empresa continua sendo a maior companhia de calçados e vestuário esportivo do mundo, vendendo tênis, roupas esportivas e equipamentos por meio de varejistas, lojas próprias e canais digitais. Seu reconhecimento de marca e alcance global continuam incomparáveis.
No entanto, a companhia ainda atravessa um importante processo de reestruturação enquanto tenta reequilibrar seu modelo de distribuição após apostar excessivamente nas vendas diretas ao consumidor, o que prejudicou os relacionamentos com atacadistas. No último trimestre fiscal (Q3 FY2026), a receita total atingiu US$ 11,3 bilhões, estável em relação ao ano anterior, enquanto o lucro líquido caiu 35%, para US$ 520 milhões, mostrando que o processo de recuperação ainda não foi concluído.
A ação está em uma longa tendência de queda desde o final de 2021, quando era negociada perto de US$ 166. O fechamento de ontem ficou em torno de US$ 45, ilustrando como movimentos excessivamente otimistas de longo prazo em ações individuais podem eventualmente sofrer fortes reversões. Os níveis atuais estão próximos das mínimas observadas entre 2016 e 2017, com a região entre US$ 43 e US$ 45 atuando anteriormente como uma importante zona de suporte.

NKE, 1h, 22 Jan 2026 – Atual
Aqui focamos no gráfico de 1 hora, onde o último impulso de baixa começou em meados de fevereiro próximo ao nível de US$ 65. Duas linhas de tendência descendentes continuam visíveis, juntamente com a estrutura de gap de baixa formada no início de abril.
A tendência de baixa mais inclinada já foi rompida, levando a um período de consolidação lateral. Como resultado, pode haver espaço para um teste da linha de tendência descendente menos agressiva, que provavelmente cruzaria entre US$ 50 e US$ 52, próximo ao nível de abertura do gap de abril.
Antes disso, porém, o mercado precisará romper claramente acima da região de US$ 46,70 testada ontem. Um rompimento consistente acima dessa área poderia desencadear uma recuperação mais rápida em direção aos alvos de curto prazo mencionados anteriormente. Isso é particularmente relevante porque a faixa entre US$ 43 e US$ 45 continua funcionando como uma zona de suporte de longo prazo e pode continuar sustentando o preço no curt