Os mercados globais iniciam a quarta semana de julho com a temporada de divulgação de resultados corporativos entrando em sua fase mais intensa e os riscos macroeconômicos permanecendo elevados. Na semana passada, as ações dos Estados Unidos registraram sua primeira queda semanal em três semanas, à medida que uma forte liquidação das ações de semicondutores e a retomada das tensões no Oriente Médio superaram o impacto positivo do CPI de junho, que veio abaixo do esperado, e dos sólidos resultados dos bancos. O petróleo Brent ultrapassou US$ 88 por barril, aumentando as preocupações com a inflação e elevando a incerteza antes da reunião de política monetária de julho do Federal Reserve.
Esta deve ser uma das semanas mais movimentadas do verão no Hemisfério Norte, com aproximadamente 77 empresas do S&P 500 divulgando seus resultados, incluindo Tesla, Alphabet e Intel. Os investidores também acompanharão os PMIs preliminares de sexta-feira, os dados do mercado imobiliário dos EUA e os últimos comentários de autoridades do Federal Reserve antes do início do período de silêncio do FOMC que antecede a reunião de 28–29 de julho.
Principais Pontos de Atenção
Resultados da Alphabet e da Tesla
Os mercados estarão focados nas perspectivas de investimento da Alphabet em inteligência artificial e nas tendências de demanda da Tesla, especialmente na China e na Europa.
Intel e o Setor de Semicondutores
Os resultados e as projeções da Intel poderão determinar se a recente queda do setor de chips é apenas temporária ou sinaliza uma desaceleração mais ampla dos investimentos em IA.
PMIs Preliminares e Mercado Imobiliário
Os PMIs de sexta-feira e as vendas de imóveis novos nos Estados Unidos oferecerão novos sinais sobre o ritmo da atividade econômica.
Riscos no Oriente Médio
Os acontecimentos no Estreito de Ormuz e em Bab el-Mandeb continuam sendo fatores-chave para os preços do petróleo e para o sentimento dos mercados.
Federal Reserve
Os investidores acompanharão os últimos comentários das autoridades do Fed antes do período de silêncio do FOMC em busca de pistas sobre a trajetória das taxas de juros.
Américas: Resultados Corporativos e Energia
Esta semana colocará à prova a narrativa de juros elevados por mais tempo, mas com uma economia ainda resiliente. Os resultados da General Motors fornecerão informações sobre a demanda por veículos na América do Norte e sobre a capacidade das montadoras de absorver as pressões causadas por tarifas e custos de produção mais altos. Já os resultados da Domino’s poderão oferecer uma leitura inicial sobre os gastos dos consumidores mais sensíveis aos preços.
O principal fator para os mercados, no entanto, será saber se os resultados dos setores de tecnologia e indústria conseguirão compensar o impacto inflacionário provocado pelos preços mais altos da energia. Uma alta sustentada do Brent para a faixa entre US$ 90 e US$ 95 por barril provavelmente se refletirá na inflação cheia nas próximas semanas, podendo reverter parte do otimismo gerado pelo CPI mais fraco de junho. Enquanto isso, o rendimento dos títulos do Tesouro americano de dois anos continua dividido entre a desaceleração da inflação e a alta do petróleo, sugerindo que a volatilidade nas taxas de curto prazo deverá permanecer.
Europa e Câmbio: PMIs em Destaque
Os PMIs preliminares de sexta-feira serão especialmente importantes para a Europa devido à dependência da região em relação às importações de energia. Uma leitura mais fraca, especialmente no setor manufatureiro da Alemanha, reforçaria as preocupações com a desaceleração do crescimento enquanto o Banco Central Europeu mantém uma postura relativamente rígida em relação à inflação. Esse cenário fortaleceria as expectativas de cortes de juros mais cedo.
Os resultados da Ryanair também poderão mostrar até que ponto as companhias aéreas conseguem repassar os custos mais elevados dos combustíveis para os preços das passagens. Enquanto isso, o par EUR/USD permanece equilibrado entre a busca pelo dólar americano como ativo de proteção e as preocupações com o crescimento europeu. Os rendimentos dos títulos do governo britânico (gilts) continuam elevados, e os preços mais altos da energia tendem a aumentar ainda mais a pressão sobre os gastos das famílias.
Ásia e Commodities: Chips e Energia
Os mercados asiáticos iniciam a semana ainda se recuperando da recente liquidação das ações de semicondutores, com as bolsas sul-coreanas permanecendo bem abaixo das máximas registradas em junho e Taiwan ainda em território de correção. Os resultados da Intel e as perspectivas de investimentos da Alphabet serão fundamentais para o sentimento do setor de tecnologia na região, enquanto qualquer interrupção no Estreito de Ormuz ou em Bab el-Mandeb poderá elevar ainda mais os custos de energia para as economias asiáticas dependentes de importações.
O ouro ganhou força em meio ao aumento das tensões geopolíticas e poderá continuar atraindo demanda como ativo de proteção caso o conflito se intensifique. Ao mesmo tempo, o iene japonês permanece dividido entre os fluxos para ativos seguros e o diferencial de juros em relação aos Estados Unidos, enquanto o petróleo deve continuar sendo o principal fator de influência entre as diferentes classes de ativos ao longo da semana.
Conclusão
A semana de 20 a 24 de julho promete ser uma das mais movimentadas do verão. Cerca de 77 empresas do S&P 500, incluindo Tesla, Alphabet e Intel, divulgarão seus resultados. Os investidores também acompanharão os PMIs preliminares de sexta-feira, as vendas de imóveis novos nos Estados Unidos e os últimos comentários das autoridades do Federal Reserve antes do início do período de silêncio do FOMC, que antecede a reunião de 28–29 de julho.
Embora o CPI mais fraco da semana passada tenha melhorado o sentimento dos mercados, o Brent próximo de US$ 88 por barril e as persistentes tensões geopolíticas no Oriente Médio mantêm os mercados vulneráveis a novos episódios de volatilidade. As projeções de investimentos das Big Techs, os PMIs globais e os acontecimentos no Estreito de Ormuz e em Bab el-Mandeb deverão ser os principais catalisadores para os ativos de risco ao longo desta semana.