Os preços do ouro apresentaram pouca variação na sexta-feira, enquanto os investidores equilibravam o otimismo em relação à redução das tensões entre os Estados Unidos e o Irã com as crescentes preocupações de que o aumento dos custos de energia possa manter a inflação elevada e atrasar cortes nas taxas de juros.
O ouro à vista permaneceu próximo de US$ 4.496 por onça, enquanto os contratos futuros de ouro nos Estados Unidos recuaram ligeiramente para cerca de US$ 4.526 por onça durante o pregão asiático.
O metal precioso passou por forte volatilidade nesta semana. Inicialmente, o ouro caiu para o menor nível em dois meses antes de se recuperar com força após relatos de que Washington e Teerã estavam se preparando para retomar as negociações diplomáticas. A recuperação ajudou o metal a encerrar a sessão anterior em alta, apesar das perdas registradas anteriormente.
O sentimento do mercado melhorou após relatos de que os Estados Unidos e o Irã haviam alcançado um entendimento preliminar para estender um cessar-fogo de 60 dias e manter a passagem segura pelo estrategicamente importante Estreito de Ormuz. No entanto, a proposta ainda depende da aprovação do presidente dos EUA, Donald Trump, e da confirmação formal das autoridades iranianas.
O ouro é tradicionalmente visto como um ativo de proteção em períodos de incerteza geopolítica. No entanto, os investidores estão cada vez mais focados em outra consequência das tensões no Oriente Médio: os preços mais altos do petróleo. O aumento dos custos de energia tem potencial para impulsionar a inflação em toda a economia global, criando desafios para bancos centrais e mercados financeiros.
Analistas acreditam que uma inflação persistente pode forçar o Federal Reserve a manter as taxas de juros elevadas por mais tempo. Esse ambiente geralmente é desfavorável para o ouro, já que o metal não gera rendimento, tornando-se menos atraente em comparação com ativos que oferecem retorno.
Dados econômicos divulgados na quinta-feira reforçaram essas preocupações. O índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), medida de inflação preferida do Federal Reserve, avançou 3,8% em relação ao ano anterior em abril, registrando o ritmo mais rápido em quase três anos.
O dado de inflação acima do esperado fortaleceu as expectativas de que os custos de financiamento permanecerão elevados até o próximo ano. Embora os rendimentos dos Treasuries tenham recuado ligeiramente após a divulgação do relatório, eles continuaram próximos dos níveis mais altos em vários meses, limitando o potencial de alta do ouro.
Apesar das oscilações recentes, o ouro caminha para encerrar a semana praticamente estável, à medida que os investidores continuam reagindo aos acontecimentos no Oriente Médio e às mudanças nas expectativas para a política monetária dos Estados Unidos.
Outros metais preciosos também registraram queda na sexta-feira. A prata recuou para cerca de US$ 75,52 por onça, enquanto a platina caiu para aproximadamente US$ 1.915 por onça, refletindo a cautela dos investidores diante de novos desdobramentos geopolíticos e econômicos.