O ouro não conseguiu recuperar após atingir o seu máximo histórico no início deste ano, em 29 de janeiro, nos US$5.596,70. No momento da redação, o XAUUSD negocia próximo de US$4.183, deixando o metal 25,3% abaixo desse pico. O movimento levou o ouro para além de uma simples correção e consolidou um mercado em tendência de baixa.
Anos de compras por parte dos bancos centrais ajudaram a impulsionar o ouro de forma consistente. Os volumes adquiridos aumentaram significativamente a partir do terceiro trimestre de 2022, quando as compras oficiais saltaram de 158,6 toneladas para 459,9 toneladas. Como frequentemente acontece, a fase final especulativa levou os preços a uma subida parabólica antes de deixar muitos investidores expostos perto dos máximos.
A narrativa de ativo de refúgio também não conseguiu sustentar o ouro. Apesar das guerras em curso, da instabilidade e da incerteza global, 2026 trouxe uma pressão de venda persistente sobre o metal precioso. As taxas de juro reais de longo prazo permanecem elevadas e continuam a subir, alcançando 2,195% esta manhã, enquanto a taxa de inflação implícita (10-year breakeven inflation rate) está em 2,33%. Ainda assim, estes níveis não são significativamente diferentes dos observados no outono de 2023, quando o ouro negociava próximo de US$1.900.
Análise Técnica
O principal sinal positivo para os compradores de ouro é que o mínimo de 23 de março em US$4.099 ainda não foi rompido. Além disso, o panorama técnico continua fraco.

A venda acentuada do início da primavera levou os preços do ouro a caírem fortemente após várias sessões consecutivas de baixa. No entanto, o metal recuperou rapidamente, com o fechamento diário estabelecendo-se em US$4.407.
Esse nível perdeu agora relevância como suporte. Já ocorreram quatro sessões de fechamento abaixo de US$4.407 e, mais importante, abaixo de US$4.365. Atualmente, consideramos US$4.365 como o principal nível a monitorar. A região atuou como resistência clara em outubro de 2025 e, até recentemente, servia como suporte, sem qualquer fechamento abaixo dela durante este ano.
A tendência de baixa também permanece totalmente intacta. Desde 7 de maio, o XAUUSD testou diversas vezes a linha de tendência descendente, mas falhou consistentemente em rompê-la.
O padrão anterior de consolidação, seja interpretado como um triângulo ou uma bandeira, parece agora ter rompido decisivamente para baixo.
Apesar da queda de 25% a partir dos máximos, a nossa perspetiva para o ouro continua baixista. Os níveis de US$4.100 e, posteriormente, US$3.890 deverão atuar como importantes zonas de suporte. Essas áreas podem desacelerar a queda ou provocar pausas temporárias, mas ainda não alteram a estrutura baixista mais ampla.

Num horizonte de longo prazo, o risco de preços significativamente mais baixos continua real. Não se pode descartar a possibilidade de que, dentro de vários meses, potencialmente em 2027, o primeiro dígito do preço do ouro deixe de ser um 4 e passe a ser um 3.
Esse cenário implicaria um potencial adicional de queda próximo de US$1.000 por onça troy em relação aos níveis atuais.