A reunião de ontem do Federal Reserve — possivelmente a última presidida por Jerome Powell — acrescentou incerteza aos mercados. A decisão de manter as taxas foi a mais dividida desde 1992, com votação de 8–4.
As divergências refletiram visões distintas: três membros, liderados por Kashkari, defenderam cautela, enquanto Waller votou por um corte. O resultado sustentou a força do USD, também impulsionado por especulações de ação militar dos EUA e pela forte alta do petróleo, com o Brent a atingir novos máximos no contexto do conflito.

No dia anterior, o Banco do Japão manteve a taxa em 0,75% — o nível mais alto desde 1995 — com votação de 6–3. Os membros dissidentes defenderam subida imediata para 1,0%, citando riscos inflacionários ligados ao Oriente Médio.
No seu relatório trimestral, o BOJ elevou a projeção de inflação para 2,8% (de 1,9%) e reduziu o crescimento do PIB para 0,5% (de 1%), refletindo um cenário de estagflação impulsionado pela energia. A decisão foi interpretada como um “hawkish hold”, sinalizando desconforto crescente com a fraqueza do iene.
Apesar disso, o USDJPY negocia em 160,65, próximo de máximos de dois anos e níveis vistos pela última vez no início dos anos 90.
ANÁLISE TÉCNICA
O iene permanece estruturalmente fraco, amplamente utilizado em estratégias de carry trade devido ao diferencial de juros. Ainda assim, começam a surgir sinais de mudança, com a yield do JGB a 10 anos em 2,53% e a de 30 anos próxima de 4% (3,72%), embora ainda numa fase inicial.
A zona entre 160 e 161 tem sido historicamente um nível-chave de intervenção do BOJ, frequentemente em coordenação com o Fed de Nova Iorque. Intervenções podem ocorrer nesses níveis, tipicamente durante o início da sessão americana para maximizar impacto.

Isso cria um ambiente complexo: os fundamentos favorecem a fraqueza do iene, mas a proximidade de níveis de intervenção aumenta o risco de movimentos bruscos de queda. Entre os níveis atuais e 162, a probabilidade de reversões aumenta significativamente.
Um fator que pode permitir mais alta é que intervenções anteriores (2022–2023) ocorreram mais próximas de 150. Isso sugere que as autoridades podem tolerar níveis mais elevados, potencialmente até 165 — embora essa hipótese permaneça especulativa.
No longo prazo, o gráfico semanal indica que os melhores pontos de entrada comprada tendem a surgir após intervenções, geralmente dentro de um período de 1 a 2 meses. Até agora, a zona de 142 tem servido como nível sólido de entrada e poderá voltar a atrair interesse caso o par recue para essa área.