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SOXX em Sequência Recorde com Intel em Alta

O SOXX, o Índice de Semicondutores da Filadélfia e principal referência do setor, voltou a subir ontem, marcando sua 17ª sessão consecutiva de ganhos. Isso por si só já é notável, mas também representa a maior sequência de alta já registrada. Anteriormente, o índice havia alcançado 15 sessões consecutivas de valorização no final de 2014, enquanto historicamente tende a perder força após 8 ou 9 altas seguidas.

Como esperado, o gráfico tornou-se quase vertical. A ação em foco hoje apresenta um padrão muito semelhante — quase idêntico nas últimas semanas. A Intel disparou. Com um P/L futuro de 94x, agora negocia com o múltiplo mais alto entre os componentes do índice, cerca de cinco vezes sua média dos últimos 10 anos.

Em um movimento marcante no último setembro, o governo Trump concordou em investir US$ 8,9 bilhões em ações ordinárias da Intel, tornando-se o maior acionista da empresa, com cerca de 10% de participação. A justificativa foi principalmente geopolítica: a competição com a China, a corrida pela inteligência artificial e o esforço para fortalecer a produção doméstica de semicondutores. Logo depois, a Nvidia adquiriu cerca de 4% da Intel, enquanto a SoftBank também investiu. No total, essas transações somaram aproximadamente US$ 20 bilhões em capital, usados em parte para reduzir a dívida e fortalecer o balanço.

O desempenho da ação reflete uma reviravolta significativa. A Intel fechou ontem em cerca de US$ 66,78, alta de 278% em relação às mínimas de 2024, com valor de mercado acima de US$ 200 bilhões. Os resultados do 1º trimestre de 2026 superaram as expectativas, com receita crescendo mais de 7%, indicando um retorno ao crescimento, apoiado em parte pela forte demanda por chips de servidores usados em data centers de IA.

Estratégicamente, a Intel segue um caminho duplo: competir em chips de IA enquanto expande seu negócio de fundição para fabricar chips para terceiros. A parceria com a Nvidia — incluindo o codesenvolvimento de CPUs x86 personalizadas para data centers — é vista como um possível catalisador que pode validar as ambições da Intel em fundição e atrair novos clientes. A Microsoft já teria fechado um acordo com valor estimado de US$ 15 bilhões ao longo de sua vigência.

ANÁLISE TÉCNICA

No gráfico diário, o gap formado no fim de semana de 16–17 de setembro — após o anúncio do envolvimento do governo e da Nvidia — ainda é claramente visível. Desde então, a ação avançou dentro de um canal de alta bem definido.

Em 21 de janeiro, uma tentativa de rompimento para cima gerou uma breve aceleração, mas perdeu força em duas sessões. Em 30 de março, houve uma tentativa de rompimento para baixo do canal, que também se mostrou falsa, desencadeando o forte rali que se seguiu. A mínima de 30 de março foi de US$ 40,58, enquanto a máxima de 17 de abril atingiu US$ 70,26 — uma alta de 73% em um curto período.

Os níveis estáticos no gráfico correspondem a zonas de suporte e resistência de 2021 e 2023, quando a ação já havia sido negociada nessas regiões antes de retomá-las.

O cenário-base sugere que a ação pode precisar de um período de consolidação após ganhos tão fortes, possivelmente incluindo uma correção. Para uma continuação mais sustentável, o preço provavelmente precisaria retornar ao canal de alta, atualmente entre US$ 47,75 e US$ 59,50. Esse intervalo também inclui as médias móveis de 21 e 50 dias, agora em US$ 57,05 e US$ 50,28.

Nos níveis atuais, entrar na ação implica pagar uma avaliação relativamente elevada em comparação aos padrões históricos.

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