O ouro era negociado próximo de US$4.150 na análise anterior, quando o cenário técnico apontava para riscos crescentes de queda e a possibilidade de um retorno à região dos US$3.000. A pressão vendedora se intensificou posteriormente, levando os preços à mínima de US$3.942, antes de o metal formar uma base próxima de US$3.960 entre 24 de junho e 1º de julho.
Nas últimas sessões, o ouro recuperou parte do momentum. No momento da redação, é negociado a US$4.123, embora ainda acumule queda de 0,98% na sessão.
Diversos dados de inflação vieram ligeiramente melhores do que o esperado, especialmente na Zona do Euro e na Austrália. No entanto, o desenvolvimento mais relevante foi a mudança na comunicação dos principais bancos centrais globais.
O afastamento do forward guidance, fortemente defendido pelo novo presidente do Fed, Kevin Warsh, representa uma mudança significativa em relação à abordagem de política monetária dos últimos 15 anos. Essa transição foi reforçada na semana passada por grandes bancos centrais, incluindo BCE, BoE e BoC, durante o fórum de bancos centrais em Sintra, Portugal.
No mesmo evento, as autoridades reiteraram que a inflação continua elevada e precisa ser controlada, apesar da forte queda dos preços do petróleo. Essa mensagem já havia sido evidente na última reunião do Fed e deverá receber maior atenção com a divulgação da ata do FOMC na quarta-feira.
Nesse contexto, seria esperado que os rendimentos dos Treasuries dos EUA e as expectativas de inflação de longo prazo subissem simultaneamente. Em vez disso, os rendimentos nominais permaneceram relativamente estáveis, enquanto as expectativas de inflação recuaram.
O rendimento dos Treasuries de 10 anos está apenas cerca de 4 pontos-base acima do nível de 17 de junho, enquanto o rendimento de 2 anos recuou 3 pontos-base, para 4,135%. Mais importante, a taxa de inflação implícita de 10 anos caiu de 2,50% em meados de maio para 2,24%.
Como resultado, os juros reais de longo prazo — possivelmente a variável macroeconômica com maior correlação inversa com os preços do ouro — continuaram avançando e agora estão próximos de 2,26%, perto do limite superior da faixa dos últimos três anos. Esse cenário permanece desfavorável para o ouro.
Análise Técnica
Apesar da recente recuperação, o movimento ainda parece ser um repique técnico, e não o início de uma nova tendência de alta.
No gráfico de quatro horas, o RSI apresenta uma divergência altista desde 10 de junho, quando o ouro era negociado próximo do importante pivô de US$4.360. Essa divergência ajudou a estabelecer a consolidação em torno de US$3.960 durante a segunda metade de junho, após um período prolongado de sobrevenda.

A linha de tendência descendente continua limitando os preços e encontra-se atualmente próxima de US$4.260. Apenas um movimento sustentado acima desse nível melhoraria o cenário técnico.
No gráfico diário, a média móvel de 21 dias está próxima de US$4.146, perto dos preços atuais, enquanto a média de 50 dias permanece significativamente mais alta, em US$4.381. Mesmo que o ouro rompa acima da linha de tendência descendente, ainda enfrentaria resistência na média de 50 dias e no importante pivô de US$4.360.
O RSI diário recuperou para 45. Embora permaneça em território baixista, já não está em sobrevenda, deixando espaço para novas quedas. Ao mesmo tempo, o momentum já não está suficientemente esticado para sustentar uma visão agressivamente baixista.
De forma geral, as altas continuam sendo vistas como oportunidades de venda. O cenário só se tornaria mais construtivo caso o ouro rompesse acima dos principais níveis de resistência técnica destacados anteriormente.
Embora um gráfico de longo prazo não esteja incluído nesta análise, o alvo de baixa de médio a longo prazo permanece entre US$3.300 e US$3.600. A justificativa técnica por trás dessa perspectiva será explorada em mais detalhes nas próximas semanas.