A Micron divulgou, na noite de quarta-feira, o trimestre mais forte de seus 47 anos de história, com receita de US$ 41,46 bilhões no terceiro trimestre fiscal de 2026, bem acima das expectativas de Wall Street, que apontavam para US$ 35,7 bilhões. O resultado representou uma surpresa positiva de 16%.
O lucro por ação não GAAP ficou em US$ 25,11, contra a estimativa de consenso de US$ 20,49. A margem bruta subiu fortemente para 84,9%, ante 74,9% no trimestre anterior e 39% um ano antes. Apenas a unidade de memória para nuvem gerou uma margem operacional de 78%.
Para o quarto trimestre, a Micron projetou receita entre US$ 49 bilhões e US$ 51 bilhões, confortavelmente acima da previsão de Wall Street de US$ 43,2 bilhões. A companhia também declarou um dividendo trimestral de US$ 0,15 por ação.
A surpresa nos resultados veio após uma forte queda de dois dias nas ações de semicondutores. O ETF de chips SMH havia encerrado a sessão anterior com perda de 7%, pressionado pelo contágio das ações sul-coreanas de memória e por renovadas preocupações com uma possível bolha de inteligência artificial. A própria Micron havia recuado 13% na terça-feira antes de se recuperar 4% no pré-mercado, tornando a dimensão da surpresa nos resultados ainda mais relevante.
O efeito dos resultados da Micron foi imediato e amplo. A SanDisk subiu cerca de 10% no after-market, a Western Digital avançou percentual semelhante e a Qualcomm disparou quase 13%, para US$ 222,44. A AMD avançou cerca de 3,4%, enquanto a Intel também registrou ganho semelhante.
O ETF SOXX foi negociado perto de US$ 625,94 após o fechamento, sinalizando uma recuperação relevante em direção à máxima de 52 semanas de US$ 655,95 e revertendo parcialmente a recente queda de duas sessões.
O movimento tem implicações além do setor de semicondutores. A Micron é a quarta maior posição do ETF VanEck Semiconductor, SMH, de US$ 73 bilhões. A empresa também tem peso de 8% no ETF alavancado Direxion SOXL e está entre as 10 maiores companhias do S&P 500, com capitalização de mercado próxima de US$ 1,2 trilhão.
A Micron acumula alta de mais de 700% no último ano e foi a maior contribuição individual para o retorno de 138% do SMH no mesmo período, apesar de representar apenas 8% do peso do fundo. Isso destaca o alto grau de concentração que o complexo de semicondutores atingiu.
Com os futuros do S&P 500 em alta após a divulgação dos resultados, a sessão de quinta-feira será o primeiro grande teste para avaliar se a narrativa de superciclo da Micron pode restaurar a confiança no trade de chips de inteligência artificial após uma das quedas de dois dias mais fortes do setor no ano.
Análise Técnica
A MU fechou a sessão regular de ontem em US$ 1.012 antes de indicar um preço de abertura de US$ 1.037,49. Na negociação overnight, a ação chegou a US$ 1.200,45, representando um salto de 15,7%.
Até ontem, o mercado de opções precificava um movimento de aproximadamente 10,5% até o fechamento de amanhã. Isso torna a configuração atual um dos raros casos em que os formadores de mercado podem ter subestimado a volatilidade esperada.
Uma abertura próxima desses níveis colocaria a MU apenas alguns dólares abaixo de sua máxima histórica de US$ 1.205,70. Também deixaria a ação negociando perto do limite superior de seu canal ascendente mais inclinado.

Isso ocorre após uma alta de 236% desde março. O RSI tem mostrado divergência baixista desde o início de maio, enquanto o MACD já registrou um cruzamento baixista. Esses sinais sugerem que a cautela continua necessária em torno da região de US$ 1.200.
No curto prazo, a força perto desse nível pode oferecer uma oportunidade para reduzir exposição em carteira. O mercado de opções havia precificado um movimento máximo próximo de 10,5%, o que implica um alvo de alta perto de US$ 1.140.
Seguimos confiantes de que, mesmo neste caso, o mercado de opções não ficará muito distante da realidade e que a MU pode negociar próxima desse nível até o fechamento de amanhã.