Analisar ativos em termos de ouro é uma abordagem comum para avaliar valor em relação a uma referência monetária tangível. Expressar a produção econômica, os ativos financeiros e as moedas em ouro pode oferecer uma perspectiva diferente sobre tendências de valorização de longo prazo.
De 1944 a 1971, a economia global operou sob o sistema de Bretton Woods, nomeado em homenagem à cidade de New Hampshire onde o acordo foi assinado. Nesse modelo, as moedas estavam efetivamente ligadas ao ouro, o que significava que os governos só podiam emitir dinheiro na medida em que este fosse respaldado por reservas oficiais de ouro.
Em agosto de 1971, os Estados Unidos, sob a presidência de Nixon, encerraram a conversibilidade do dólar em ouro, abrindo caminho para o sistema monetário moderno, no qual o dinheiro pode ser criado sem respaldo direto em ativos físicos.

O gráfico do PIB dos EUA medido em ouro mostra uma queda significativa desde o início dos anos 2000, com os níveis atuais comparáveis aos observados em meados da década de 1980 e até mesmo em meados da década de 1950.
Nos últimos dias, o Bitcoin, frequentemente chamado de ouro digital, voltou a testar a importante região dos US$ 60.000. Muitos investidores de longo prazo esperam que esse movimento forme um fundo duplo após uma queda de pouco mais de 50% em relação à sua máxima histórica.
Essa comparação levanta uma questão importante: onde o ouro digital se encontra atualmente em relação ao ouro físico e essa relação pode fornecer informações relevantes?
Análise Técnica
A região dos US$ 60.000 é agora um nível claro de suporte. Ela também serviu como uma importante faixa de negociação entre março e outubro de 2024, antes de o Bitcoin recuperar força, romper acima dos US$ 100.000 e eventualmente atingir máximas próximas de US$ 120.000.
Medido em onças troy de ouro, um Bitcoin vale atualmente cerca de 14,85 onças, após ter atingido uma mínima próxima de 12,25 onças em fevereiro.
Curiosamente, esta é a mesma faixa em que a relação BTC/XAU foi negociada entre março e outubro de 2023, quando o Bitcoin oscilava entre US$ 25.000 e US$ 30.000, aproximadamente 50% abaixo do preço atual. A relação também foi negociada em níveis semelhantes em dezembro de 2020 e janeiro de 2021, quando o Bitcoin estava novamente próximo de US$ 25.000.

A queda da relação BTC/XAU foi mais acentuada do que a queda do Bitcoin em termos de dólares americanos. A relação recuou até 64% em relação ao seu recorde histórico de aproximadamente 41 onças de ouro por Bitcoin em dezembro de 2024 e cerca de 59% em relação ao pico relativo registrado em agosto de 2025.
O que pode ser particularmente relevante é que os níveis atuais não estão muito acima de uma importante zona de suporte de longo prazo entre aproximadamente 10,70 e 13,70 onças. Se a análise técnica puder ser aplicada a um instrumento sintético como essa relação, isso sugeriria que o potencial de queda pode ser relativamente limitado.
Em outras palavras, o Bitcoin parece relativamente barato quando medido em ouro.
Ainda não está claro se a região dos US$ 60.000 será mantida, com o BTC sendo negociado atualmente em torno de US$ 63.795. No entanto, sob uma perspectiva de médio prazo, uma posição comprada em Bitcoin e vendida em ouro pode ser uma estratégia interessante, com o ouro sendo negociado atualmente próximo de US$ 4.298.
Os investidores também devem considerar os custos de financiamento e swap associados à manutenção de ambas as pontas da operação, bem como os requisitos de margem necessários para sustentar a posição. Esses custos operacionais podem se tornar significativos ao longo do tempo e devem ser cuidadosamente avaliados antes da entrada na operação.