Os preços do petróleo Brent registraram uma forte recuperação nesta semana, à medida que a renovação das tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz reacendeu as preocupações com o fornecimento global de petróleo.
Na terça-feira, os contratos futuros do Brent fecharam em alta de 3%, a US$ 74,16 por barril, enquanto o WTI avançou 2,8%, para US$ 70,44, após o Irã atingir um navio de GNL do Catar e outras embarcações próximas ao Estreito de Ormuz. Após o fechamento do mercado, os preços ampliaram os ganhos quando os Estados Unidos revogaram a licença do Irã para vender seu petróleo. O Brent disparou 5,6%, para US$ 76,04, enquanto o WTI subiu 5,4%, para US$ 72,25, nas negociações após o fechamento.
A alta continuou na quarta-feira após novos ataques retaliatórios dos Estados Unidos. A Bloomberg descreveu a escalada como o maior dia de ataques no Estreito de Ormuz desde o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, enquanto a Associated Press informou o maior número de ataques a petroleiros em um único dia desde o fim de abril, citando a Organização Marítima Internacional da ONU. A forte reversão ocorre após os preços do petróleo terem recuado recentemente para mínimas de quatro meses com a recuperação da oferta na região do Golfo.
Essa recuperação agora enfrenta novas pressões. Antes da escalada mais recente, o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz vinha se normalizando gradualmente. Os Emirados Árabes Unidos elevaram sua produção para mais de 3,8 milhões de barris por dia em junho, o maior nível desde abril de 2020 e acima dos volumes registrados antes do conflito. Ao mesmo tempo, a OPEP+ continuou aumentando suas cotas de produção, enquanto relatos indicavam que superpetroleiros ligados ao Japão haviam retomado as travessias pelo estreito.
Mesmo assim, a atividade marítima permaneceu abaixo do normal. No início de julho, um provedor de monitoramento estimou que o número diário de embarcações correspondia a cerca de um quarto dos níveis anteriores ao conflito. Os prêmios dos seguros contra riscos de guerra continuavam elevados, e muitas grandes transportadoras mantinham o desvio de rotas pelo Cabo da Boa Esperança em vez de utilizar o Estreito de Ormuz.
Segundo o CENTCOM, os ataques realizados durante a noite atingiram mais de 80 ativos militares iranianos, incluindo sistemas de defesa aérea, redes de comando e controle, instalações de radar costeiro, posições de mísseis antinavio e mais de 60 pequenas embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) que operavam dentro e ao redor do estreito. Explosões também foram registradas em Bandar Abbas, Sirik e na Ilha de Qeshm, com vários feridos por estilhaços.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou Washington de violar o memorando de entendimento e afirmou que “a era da intimidação e da extorsão acabou”, destacando o aumento da pressão sobre o cessar-fogo firmado em junho e a renovada incerteza para os mercados globais de petróleo.
Análise Técnica
Após atingir o pico de US$ 120,50 em nossa plataforma no dia 30 de abril, o UK Oil recuou para US$ 70,15 em 2 de julho, representando uma queda de 41,8% ao longo de 38 sessões de negociação.
O movimento levou o benchmark abaixo do fechamento de 27 de fevereiro, em US$ 73,52, e completou um teste clássico da linha de tendência descendente de longo prazo, rompida de forma decisiva no início do conflito.

A alta de ontem levou os preços novamente acima da resistência da linha de tendência e da região de US$ 74, que marcou a máxima do fim de fevereiro. Tanto o RSI quanto o MACD começaram a se recuperar das condições de sobrevenda. Embora o MACD permaneça em território negativo, ele já gerou um cruzamento de alta. O volume negociado também atingiu seu maior nível desde 7 de maio, quando o UK Oil fechou pouco abaixo de US$ 100 antes de acelerar sua queda ao longo do mês seguinte.
Sob uma perspectiva técnica mais ampla, as principais resistências estão em US$ 81,20 e US$ 87,50. O suporte inicial é observado em US$ 70, seguido pela região de US$ 65.

No gráfico de quatro horas, dois aspectos técnicos merecem destaque. O primeiro é a linha de tendência descendente que vem guiando os preços desde maio e atualmente está posicionada perto de US$ 82,60. O segundo é o RSI, que já ultrapassou o nível de 70, indicando condições de sobrecompra no curto prazo.
A atual recuperação parece sustentada pelos desdobramentos geopolíticos em andamento, tornando a região de US$ 81,20 o primeiro objetivo relevante de alta. A capacidade do mercado de sustentar um rompimento acima desse nível deverá ficar mais clara nas próximas sessões.
No entanto, as condições de sobrecompra nos prazos mais curtos, somadas à forte valorização registrada ontem, sugerem que o mercado poderá entrar em uma breve fase de consolidação antes de retomar o movimento de alta. Esse período poderá levar os preços a testar novamente a região de US$ 74 a partir do nível atual de US$ 76,22. Ainda assim, o cenário técnico mais amplo não favorece, neste momento, vendas agressivas nem indica um novo movimento expressivo de baixa.