As ações da Apple sofreram forte pressão ontem, encerrando o pregão com queda de 6,12%, seu pior desempenho diário em mais de um ano. A desvalorização eliminou aproximadamente US$265 bilhões em valor de mercado, embora a empresa continue avaliada em mais de US$4 trilhões.
O movimento ocorreu após a Apple anunciar aumentos de preços em grande parte da linha Mac e iPad, incluindo MacBook Neo, MacBook Air, MacBook Pro, iPad Air e iPad Pro. Os novos preços já estão em vigor na loja online global da empresa.
O principal fator por trás dos reajustes é o que analistas apelidaram de “RAMageddon” — uma escassez global de memória DRAM impulsionada pela rápida expansão dos data centers de inteligência artificial. Empresas como a Nvidia garantiram contratos de fornecimento de longo prazo com fabricantes de memória, reduzindo a oferta destinada ao mercado de eletrônicos de consumo.
A Apple não está sozinha. No mesmo dia, a Microsoft anunciou seu terceiro aumento relevante de preços para os consoles Xbox da geração atual, alertando que os custos de armazenamento e memória já aumentaram mais de 2,5 vezes e poderão dobrar novamente até o fim de 2027.
Apesar da recente fraqueza das ações, a estratégia de longo prazo da Apple para inteligência artificial continua diferenciando a empresa de muitos concorrentes. Em vez de disputar diretamente a liderança no desenvolvimento de modelos proprietários de IA, a companhia trata esses modelos como serviços intercambiáveis, concentrando seus esforços em distribuição, privacidade e integração ao seu ecossistema.
A Apple teria concordado em pagar cerca de US$1 bilhão por ano para integrar o Gemini, do Google, a uma nova versão da Siri, utilizando sua infraestrutura Private Cloud Compute. Essa estratégia permitirá levar recursos de IA para sua base instalada de mais de 2,3 bilhões de dispositivos ativos.
A empresa também ampliou sua parceria com a Anthropic para integrar o Claude ao Xcode como assistente de programação e avalia utilizar os modelos da empresa na reformulação da Siri. Paralelamente, a Apple segue investindo em hardware próprio, acelerando o desenvolvimento da geração de chips M7 voltada para IA, prevista para 2027, além do chip para servidores de IA, codinome Baltra, desenvolvido em parceria com a Broadcom.
Em vez de competir diretamente na corrida pelos modelos de IA, a Apple aposta em seu ecossistema integrado de hardware, privacidade e ampla base global de dispositivos como principal vantagem competitiva. Embora o boom da infraestrutura de IA esteja elevando os custos de hardware no curto prazo, ele também fortalece a estratégia de longo prazo da empresa para sua próxima geração de chips e serviços baseados em inteligência artificial.
Análise Técnica
Apesar da forte queda de ontem, que levou a AAPL a fechar em US$274,03 após encerrar a sessão anterior em US$292,78, o gráfico ainda não apresenta uma deterioração técnica significativa. Sob uma perspectiva de longo prazo, a tendência principal permanece de alta.
A principal linha de tendência ascendente teve início em março de 2025 e foi novamente confirmada em abril deste ano, próxima da região de US$246.

A venda foi intensificada após o rompimento do suporte em US$286, acompanhado por uma abertura em gap de baixa, acelerando a pressão vendedora ao longo da sessão.
Embora a região de US$272 possa oferecer algum suporte no curto prazo, o nível de US$266,54 continua sendo o principal ponto de atenção, pois coincide com a linha de tendência ascendente de longo prazo. Um rompimento decisivo abaixo desse patamar representaria o primeiro sinal técnico relevante de deterioração.
Caso a pressão vendedora continue, os próximos suportes encontram-se em US$257 e, mais importante, em US$246.
Os indicadores técnicos seguem enfraquecendo. Tanto o RSI quanto o MACD permanecem sob pressão, enquanto as médias móveis de 21 e 50 dias já estão acima do preço atual. Embora ainda não tenham formado um cruzamento baixista, ambas continuam refletindo perda de momentum.