Brent se Aproxima de US$110 com Riscos de Oferta em Ormuz

Enquanto o Irã teria apresentado uma nova proposta aos Estados Unidos para reabrir o Estreito de Ormuz — priorizando a suspensão do bloqueio naval e adiando as negociações nucleares para uma fase posterior, segundo o Axios — e a Marinha dos EUA teria apreendido petróleo iraniano no valor de US$380 milhões no Oceano Índico, os preços do Brent voltaram a subir de forma acentuada nas últimas sessões.

O prêmio em relação ao WTI retornou a níveis mais típicos, voltando a ficar positivo após ter negociado brevemente com desconto — algo incomum para o Brent frente ao petróleo dos EUA. Atualmente, está em +US$8,98 (WTI US$97,94, Brent US$106,92 na nossa plataforma), ainda elevado em comparação aos padrões pré-crise de Ormuz.

Apesar do otimismo mais amplo nos mercados de ações, o mercado de petróleo permanece sob pressão significativa há quase dois meses. A produção é estimada em queda de cerca de 12 milhões de barris por dia, excluindo interrupções no transporte, enquanto a demanda já começa a mostrar sinais de contração. Segundo a AIE, a destruição de demanda pode estar se aproximando de 2,5 milhões de barris por dia globalmente.

Se essa situação persistir, o impacto em setores-chave pode ser significativo. Indústrias como aeroespacial e turismo tendem a ser as primeiras afetadas, seguidas pelo setor imobiliário, que pode enfrentar pressão tanto por juros mais altos quanto por menor mobilidade. No entanto, isso vai além do escopo imediato desta análise.

O Brent subiu da mínima de sexta-feira, dia 17, de US$87,25 para aproximadamente US$106,80, representando uma alta de 22,35%.

Análise Técnica

Focamos no intervalo entre US$87,25 e US$114,45, dentro do qual o Brent tem negociado na nossa plataforma desde 9 de março, com exceção de picos iniciais de alta. Neste gráfico de 4 horas, não projetamos alvos de alta mais amplos, embora valha lembrar que o Brent chegou a superar US$147 no pico do ciclo de commodities em 2008.

Brent, 4h Mar 2026 – Atual

O preço volta a testar uma zona-chave de resistência, que também coincide com o nível de abertura com gap de baixa em 8 de abril. Os indicadores no gráfico de 4 horas sugerem força contínua, com espaço para novas altas, enquanto as Bandas de Bollinger apontam para uma possível ruptura acima de aproximadamente US$107,05.

Caso esse nível seja superado, um movimento em direção a US$114,40 parece plausível, com uma resistência intermediária próxima de US$110.

A volatilidade permanece elevada, com o ATR (6) indicando um movimento médio de US$2,16 a cada 4 horas. Nesse contexto, uma estratégia de spread em relação ao WTI pode oferecer uma abordagem de risco mais equilibrada, já que a dinâmica relativa de preços entre os dois benchmarks continua mostrando sinais de estabilidade.