Os preços do ouro registaram uma ligeira alta na quinta-feira, 30 de julho, impulsionados pela cobertura de posições vendidas (short covering), que ajudou o metal precioso a recuperar das perdas anteriores, embora o fortalecimento do dólar norte-americano e a subida dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA continuem a limitar o potencial de valorização. Os investidores mantiveram-se cautelosos após a mais recente reunião de política monetária da Reserva Federal dos EUA (Fed), enquanto a atenção se volta agora para os próximos dados de inflação, que poderão influenciar a próxima decisão sobre as taxas de juro.
A Reserva Federal manteve a sua taxa de juro de referência inalterada entre 3,50% e 3,75% pela quinta reunião consecutiva, em linha com as expectativas do mercado. No entanto, o sentimento permaneceu hawkish depois de três membros do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) votarem a favor de um aumento de 25 pontos-base, reforçando as expectativas de que uma nova subida das taxas continua possível na reunião de setembro.
Os investidores aguardam agora a divulgação do Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE) dos Estados Unidos, a medida de inflação preferida da Reserva Federal. Espera-se que estes dados desempenhem um papel fundamental na definição das expectativas para a reunião de política monetária de setembro.
A procura física por ouro manteve-se mista na Ásia. As importações chinesas de ouro através de Hong Kong diminuíram em relação ao mês anterior, enquanto a procura na China continental permaneceu relativamente resiliente. Na Índia, a procura mais fraca por joias levou os revendedores a oferecer descontos mais elevados, uma vez que os preços globais elevados desincentivaram as compras.
Análise Técnica
Do ponto de vista técnico, o XAU/USD continua a negociar abaixo de uma linha de tendência descendente bem definida, indicando que a tendência geral de médio prazo permanece baixista. Embora os preços tenham estabilizado após recuperarem da zona de suporte dos US$3.942, os compradores ainda não conseguiram gerar impulso suficiente para confirmar uma inversão da tendência.
Atualmente, o preço encontra-se em torno dos US$4.047, ligeiramente acima do nível de retração de Fibonacci de 23,6%, próximo dos US$4.046, sugerindo que os compradores estão a tentar defender este suporte imediato. No entanto, o ouro continua abaixo do nível de Fibonacci de 38,2%, situado perto dos US$4.100, e da retração de 50%, em torno dos US$4.162, ambos considerados importantes níveis de resistência.

O RSI mantém-se próximo dos 45, indicando um momento entre neutro e baixista, sem sinais claros de condições de sobrecompra ou sobrevenda. Entretanto, o MACD permanece abaixo da linha zero, embora o histograma continue a melhorar, sugerindo que o impulso baixista está gradualmente a perder força. Um rompimento sustentado acima da linha de tendência descendente e da zona de resistência entre US$4.100 e US$4.160 fortaleceria o cenário para uma recuperação mais ampla em direção ao nível de Fibonacci de 61,8%, próximo dos US$4.234. Por outro lado, caso o preço não consiga manter-se acima dos US$4.046, o ouro poderá voltar a enfrentar pressão vendedora, tendo os US$3.942 como o próximo suporte relevante.
Este desenvolvimento é importante para os traders porque o ouro está atualmente a negociar num ponto de convergência entre fatores fundamentais e técnicos de grande relevância. Embora a cobertura de posições vendidas e a incerteza geopolítica continuem a oferecer suporte ao metal precioso, o tom hawkish da Reserva Federal, os rendimentos mais elevados dos títulos do Tesouro e a força do dólar norte-americano permanecem como obstáculos significativos para novas subidas.
Com a aproximação da divulgação do relatório de inflação PCE dos Estados Unidos, os traders devem preparar-se para um aumento da volatilidade no XAU/USD. Um resultado de inflação acima das expectativas poderá reforçar as previsões de uma política monetária mais restritiva, enquanto um dado mais fraco poderá aumentar as expectativas de uma Reserva Federal mais acomodatícia e apoiar novos ganhos do ouro.